quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

HB, querido

HB, meu bem! Quero de público agradecer por tudo o que você me fez este ano. Por tudo, mas principalmente pela sordidez do seu comportamento! Comprovei o que muitos filósofos vêm defendendo há séculos: a dor é uma oportunidade de crescimento incomparavalmente maior que o prazer! E você me fez crescer, HB, e como! Já suportei muita coisa na vida: unha encravada, dor de parto, depilação com cera quente, dívidas impagáveis, amores frustrados, dor de dente de matar... mas você superou todas as minhas desagradáveis, porém didáticas, experiências. Você me fez sentir a mais miserável e pequena das mulheres. Você foi um canalha. Um canalha desonesto, daqueles da pior categoria. Obrigada por isso! Não... não estou sendo irônica. De repente, sei lá, nessa entressafra de natal e reveillon (é assim que se escreve?) me bateu um espírito meio cristão-caridoso... Não... acho melhor definir o que sinto com o que os budistas chamam de transcender... é isso: do alto dos meus recém completados 42 anos, HB, eu transcendi você e toda a sua inominável canalhice! Sofri mais do que supus poderia agüentar quando, HB, vi que você, longe de ser uma figura angelical, era demoníaco. O mais covarde dos demônios, pois que se esconde sob falsas aparências. Acho os diabos declarados, do tipo ACM, mais interessantes do que você, se é que isso lhe interessa agora... Você, HB, foi torpe, vil, nefasto, cruel, desumando, cínico... Um ator canastrão representando melancolicamente um papelzinho de roteiro e fala previsíveis, preso a uma trama que acha controlar, meu pobre HB, o novo Truman`s show... Obrigada por tudo HB! Cicatrizada a ferida da traição e da indiferença, eu renasço ainda melhor do que era - e, sem sombra de dúvida, muito melhor do que você jamais será. Eu renasço orgulhosamente ostentando a minha infinita capacidade de amar, de entregar-me passionalmente, de ser intensa e honesta em meus sentimentos. HB, você conseguiu fazer que eu enxergasse o quão maravilhosa amante eu posso ser, como o meu caráter é generoso, como é mais fácil viver a solidão do que um amor que não compensa. E o seu, querido, não compensou. Foi fraco, superficial, protocolar, falso... Ah! como é bom estar liberta disto: do seu narcisismo imbecil, das suas desculpas envergonhantes, da sua vitimização débil! Do seu corpo inerte a querer carinhos sem ter de dá-los em troca... Ah! HB, pudesse eu agora estar ao seu lado, beijaria os seus pés em atitude de adoração. Você me fez transcender a cretinice daquela vida vulgar que eu levava estando junto a você! Obrigada, HB. De todo coração!